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Conteúdo do(a) PSL-Brasil publicado no Software Livre Brasil
Updated: 12 min ago

Eleições 2014 e os candidatos que apoiam o Software Livre

Tue, 30/09/2014 - 12:52

2014 é um ano de eleições e também o momento certo para fazermos boas escolhas! A Associação Software Livre.Org criou a campanha "Pense Livre. Use Software Livre" e produziu camisetas para que os candidatos interessados no tema se comprometam a defender o Software Livre se eleitos. Diversos militantes, principalmente a Comunidade Curitiba Livre, fizeram um levantamento entre os seus membros e identificou os candidatos à eleição com propostas que APOIAM o uso do Software Livre.

Para reafirmar esse compromisso, foi realizada uma ação da entrega das camisas. Alguns candidatos ainda assinaram Carta de compromisso com o Software Livre.


Veja como foi a entrega de algumas das camisas para os candidatos:
>> http://migre.me/m0XCz 
>> http://migre.me/m0XJR

Confira o conteúdo da Carta de Compromisso e ajude na redação:
>> http://migre.me/m0ZbA


Saiba quem são os candidatos que apoiaram até agora:

Paraná 

Edson Praczyk - Deputado Estadual - PRB

Eduardo Reiner - Deputado Federal - PV

Goura Nataraj - Deputado Federal - PV

Christiane Yared - Deputada Federal - PTN 

André Vieira - Deputado Federal - PT
 

 Distrito Federal

- Raul Cardoso - Deputado Distrital - PT


Rio Grande do Sul 

- Adão Villaverde - Deputado Estadual - PT

 

A escolha política é uma decisão pessoal de cada cidadão, esta ação tem como objetivo apenas a identificação de candidatos que possuem propostas que fomentam o uso de Software Livre e a liberdade do conhecimento.

Analise as propostas e faça a sua escolha!

Abaixo você pode ler a Carta de Compromisso na integra:

"Carta de Compromisso da Comunidade de Software Livre Brasileira aos Candidatos nas Eleições de 2014

 

Considerando que o software livre:

  • Distribui o código fonte dos programas, o que os transforma em bens públicos, disponíveis para utilização por toda a comunidade e da maneira que seja mais conveniente a cada indivíduo, grupo, empresa ou orgão público;
  • Gera empoderamento popular através da liberdade de conhecimento que está implícita em seu conceito;
  • Proporciona autonomia para técnicos, professores, gestores e jovens auto-didatas;
  • É auditável e transparente, ou seja, é melhor para a garantia da privacidade de dados, pois sabe-se exatamente o que se está sendo instalado nos dispositivos;
  • Supre as necessidades de grande parte dos usuários em repositórios públicos de instalação simples e imediata de aplicativos no computador, tanto para desktops como para tablets e smartphones, de forma que não é necessário buscar um fornecedor diferente para produtos diferentes, como editores de texto, editores de imagens, jogos educativos, gestão de projetos ou outros;
  • É mais seguro, dada a sua auditabilidade, reduzindo assim os riscos de intervenção por motivos militares, econômicos ou outros, além de ser imune à maioria dos virus existentes e resistente aos poucos projetados para infectar sistemas livres;
  • É adaptável ao contexto onde é aplicado, por exemplo: educação, saúde, uso doméstico, uso acadêmico, embarcados, servidores, super-computadores, etc, com soluções específicas e adequadas ao contexto;
  • Exige menor demanda de hardware, proporcionando significativas reduções de custos;
  • Independe de fornecedor, possibilitando a contratação de desenvolvimento e suporte nacional e local em seus diversos níveis, para todo e qualquer tipo de aplicação, fortalecendo desta forma a economia nacional e local;
  • É democrático em todas as suas dimensões: jurídica, pública e epistemológica.

 

Considerando que o uso e desenvolvimento do software livre:

  • proporciona desenvolvimento tecnológico, econômico e social;
  • promove a independência do fornecedor de software, já que não se fica dependente de apenas um fabricante, e tão pouco se obriga a adquirir novas licenças a cada vez que algum software deixa de ter suporte ou lança-se uma nova versão;
  • possibilita a contratação de  desenvolvimento e suporte nacional e local em seus diversos níveis, para todo e qualquer tipo de aplicação, desta forma, fortalece a economia nacional e local;
  • promove a inclusão digital de forma econômica e eficiente, desde que haja planejamento, por exemplo, treinando instrutores e suporte técnico;
  • economiza dinheiro público pois, deixaria de pagar as licenças dos softwares proprietários, ou redireciona esse gasto para o desenvolvimento de software livre em empresas brasileiras, de modo que aprimoramos nossa expertise, fortalecemos a economia, sem abrir mão da interação com competências extrangeiras, mescladas em um mesmo software;
  • intensifica a segurança da informação, pois, com software aberto é possível identificar e adaptar a lógica do sistema para um formato confiável de transporte e de divulgação das informações;
  • incentiva o mercado interno pois os desenvolvedores e técnicos locais encontrariam mais emprego nessa área;
  • que produz sistemas de qualidade freqüentemente superior àquela do modo tradicional, adquire importância estratégica para o país;
  • Está fora do risco da pirataria, pois sua licença em lugar de proibir o compartilhamanto, o valoriza;

 

Concluimos que:

  • É dever do poder público dar preferência pelo uso e desenvolvimento de softwares livres, ante o uso de softwares proprietários;
  • É questão de soberania nacional o fomento ao uso e desenvolvimento de software livre, sendo um item fundamental para as estratégias de TI, tanto no governo quanto na indústria de software. A liberdade de escolha e a possibilidade de independência das empresas de software de grande porte é vista como uma grande oportunidade para         o desenvolvimento da indústria de TI. Considerando o enorme capital humano que o país tem e o tamanho do seu mercado, torna-se viável a criação de um ecossistema apto a desenvolver este tipo de tecnologia.
  • É imprescindível que sistemas que armazenam dados sensíveis, como o voto de pessoas e dados forenses, sejam feitos em software livre, de modo que possam ser devidamente auditados e protegidos os dados analisados.
  • a industria do software não é poluente (há controvérsias, depende do hardware utilizado) e o serviço é permanente de atualização e manutenção dos softwares e sistemas operacionais, conhecido como Suporte mas também traduzido como Apoio Instrutivo que garanta o pleno funcionamento do computador;
  • (para o estado do Paraná, apenas) é de interesse público a manutenção da Celepar como entidade provedora de soluções em software livre para Tecnologia da Informação e Comunicação no Governo do Estado do Paraná.

 

Diante das considerações acima, convidamos o(a) candidato(a) a cargo executivo ou legislativo no governo brasileiro, a assinar o documento a seguir, e afirmar:

  • que apoiará a continuidade do Programa Software Público Brasileiro, um tipo específico de software livre que adota um modelo de licença livre para o código-fonte, a proteção da identidade original entre o seu nome, marca, código-fonte, documentação e outros artefatos relacionados por meio do modelo de Licença Pública de Marca – LPM e é disponibilizado na internet em ambiente virtual público, sendo tratado como um benefício para a sociedade, o mercado e o cidadão conforme as regras e requisitos previstos no Capítulo da Instrução Normativa Instrução Normativa Nº 01 de 17 de janeiro de 2011.
  • que zelará pelos princípios econômicos consagrados na Constituição brasileira de 1988, que impõem o uso do software livre pelo governo quando houver software disponível nesta licença;
  • que implementará mecanismos que fomentem e facilitem o uso e desenvolvimento do software livre na sociedade brasileira;
  • que defenderá que o ensino na rede pública federal e estadual utilize ferramentas livres para a educação tecnológica, e seus professores tenham capacitação adequada para ministrar este conteúdo;
  • que garantirá a instrução e ambientação necessária dos professores aos softwares livres de que isso é uma inestimável riqueza humana;
  • que difundirá a história da computação com o devido reconhecimento social àquel*s que possibilitaram o pleno desenvolvimento do software como um produto do conhecimento humano;

 

COMPROMISSO

  • A comunidade brasileira de software livre entende que os cargos do executivo e legislativo, federal e estadual, devem ser exercidos por pessoas comprometidas com estes pontos, pensados para manter a soberania tecnológica nacional, a privacidade de dados, e o desenvolvimento da nação. Honrar este compromisso será a característica de governantes que se destacarão na história do país.

Para Bárbara, Software Livre com amor

Tue, 30/09/2014 - 12:37

Enviado por Anahuac de Paula Gil:

Querida amiga, você pediu por uma resposta. Ela é longa e bem intencionada. A faço pública porque suas dúvidas e receios são também de outros.

Na Campus Party Brasil de 2014 tive o prazer de te conhecer, Bárbara Tostes. Naquele, então, estavas na equipe de curadores do eixo temático do Software Livre e te mostrastes uma pessoa muito sagaz, empreendedora, cheia de inciativa e especialmente criativa. Assumistes para si a interação com os participantes do evento pelas redes sociais. Com nítidas habilidades gráficas estava claro que esse, era também, teu trabalho, ou seja, fizestes das artes gráficas teu meio de vida e aplicavas nela todo o sentido crítico do seu curso de jornalismo.

Teu entusiasmo e personalidade me remeteram imediatamente aos primeiros ativistas de Software Livre que inundaram as primeiras edições do FISL e Latinoware. Então antes de mais nada, aqui há meu respeito e admiração pelo seu trabalho e ativismo. Em segundo, um tremendo carinho por ser, você, uma convicta e verdadeira ativista do Software Livre. E por fim, e mais importante, minha extrema preocupação pela sua absoluta inocência por não conseguir discernir Software Livre de OSI.

Como tenho dito em outros artigos, e OSI e Software Livre não são a mesma coisa. Na verdade suas convergências são muito menores que suas diferenças. Enquanto um trata de filosofia, ética, moral e liberdade, o outro trata de mercados, finanças, técnicas e modelos de negócio. Então misturar as duas coisas não poderia terminar bem. Você, Bárbara é apenas mais uma vítima, dessa mistura. E a culpa é minha. Não só minha, mas de toda a comunidade de Software Livre que deliberadamente se deixou encantar pelos argumentos mercantilistas da OSI a uns 10 anos atrás.

Li seu artigo como é difícil ser livre!, externando sua inocência e perplexidade frente aos novos argumentos levantados pelos ativistas do movimento Software Livre, que estão tentando corrigir o erro histórico de ter misturado o mercantilismo OSI com a filosofia GNU. Eu incluído e citado.

Já no primeiro parágrafo você deixa claro que não percebeu a mistura homogênea que foi feita com o propósito de destituir o conteúdo filosófico do projeto GNU, quando fala nas Distribuições Linux. Permita-me te dizer que essa não é uma verdade. O Movimento Software Livre não usa um sistema Linux, não desenvolve um sistema Linux e não mantém um sistema Linux. O sistema é GNU. O kernel pode ser Linux ou não. Mas o sistema como um todo é GNU. Veja, no dia em que o kernel Hurd estiver usável e for feita uma distribuição usando-o, vamos chamá-la de distribuição Hurd? Pouco provável. Quer dois exemplos proprietários? Android e MacOS, usam kerneis livres. O primeiro Linux, o Segundo BSD. Não vejo ninguém chamando o MacOS de Distribuição BSD. Nem o Android de distro Linux. A lista de exemplos é imensa: Gnome ou KDE? Coloque o kernel no seu devido lugar: é apenas mais um componente do sistema GNU.

A marca Linux ganhou espaço na mídia e o consciente coletivo das massas, porque ele destitui o fator ideológico do nome do sistema operacional ao remover o GNU. Inclusive o Linus Torvalds tem um papel fundamental nesse processo por não dar a devida importância à liberdade. Como ele mesmo declara, ele "faz livre porque é divertido, o resto é bobagem". Veja, o mesmo acontece com o termo "hacker", que como todos nós sabemos, é algo bacana, legal, inteligente e excitante, mas que na mão da mídia marrom, se transformou em sinônimo de crime, ilícito, desajustado, terrorista...

Então se você defende a liberdade essencial, aquela que transforma a vida, não use mais "Linux" para definir o nome de nenhum sistema operacional Livre. O Linux é um excelente projeto de Software Livre, coordenado por um gênio que só olha par seu próprio umbigo. E nada mais.

E você, Bárbara tem toda a razão quando diz que ser livre é muito difícil. Guerras mundiais fora travadas em seu nome. Hoje o controle planetário pela disseminação e uso das redes sociais devassas tem tudo haver com a manutenção ou perda das mais elementares liberdades individuais. Você não precisa ter algo a esconder para ter direito a privacidade. Até porque, pense bem, se for assim, todos os que manifestarem interesse em tê-la serão alvos da curiosidade daqueles que não a querem permitir. Some à complexidade natural do tema, toda a pressão de marketing e ideologias do livre mercado, e teremos as reações mais absurdas, onde se justifica a perda da liberdade em nome de tê-la!

Confuso? Vou explicar, mas leia com calma os dois próximos parágrafos.

Por volta de 2004 a comunidade de Software Livre no Brasil estava completamente convencida de que a liberdade tecnológica era o caminho certo. O grande desafio era como fazer o GNU e sua filosofia chegar até as pessoas. A FSF, com o Stallman e Alexandre Oliva à frente, bradavam que o objetivo não era a a massificação, mas o entendimento, o convencimento. Qualidade sobre quantidade, pois de nada adiantaria criar uma massa de usuários de tecnologias livres se eles não soubessem o que estavam usando. A ignorância dos usuários seria o elo fraco que permitiria o a apropriação dos meios pelos poderosos, como sempre. E em contraponto estavam a Linux International, capitaneada pelo querido Maddog e Linus, e a OSI com seu maior expoente, Eric Raymon, que diziam exatamente o contrário: era necessário massificar o uso e a adoção a qualquer custo, em especial pelas empresas que são o motor da sociedade capitalista ocidental. Uma vez que a massa estivesse usando não seria nem necessário mais falar em liberdade, afinal, eles já estariam livres, certo? Dez anos depois, já podemos concluir quem tinha razão.

O Linux é sem dúvida um dos maiores e mais importantes projetos de Software Livre, usado em 9 de cada 10 distribuições GNU. Portanto é um programa crítico que não deveria ser "infectado" por software não livre de forma alguma! Mas o argumento de que a massificação faria a diferença foi tão contundente que, como comunidade, como grupo social organizado, permitirmos a inserção de código fechado nele, proprietário mesmo. Permitimos que nossa liberdade fosse cerceada, na busca por garanti-la e massificá-la. Faz algum sentido isso? Então agora a liberdade de escolha, aquela que você menciona, está entre escolher qual será sua distribuição GNU não livre. Que armadilha!

Deveríamos ter reagido! Deveríamos ter dito: ei! Nada disso! Os fabricantes de hardware que se ajustem, que abram seus drivers e façam maquinas compatíveis ou não compraremos seus equipamentos! Mas não fizemos isso. Porque não? Acreditávamos que se entregássemos os anéis, não perderíamos os dedos. E com a massificação do Software Livre - que agora nem é tão livre assim - estaríamos levando o melhor para as pessoas. Erramos feio. E estamos cometendo o mesmo erro com a adoção massiva das redes sociais devassas. Ativistas de Software Livre se lambuzando! Amanhã pagaremos o preço!

O Ubuntu surgiu como sendo a prova material de que era possível ter um modelo de negócio que respeita-se os conceitos filosóficos do Software Livre. Um distribuição GNU, jovem, com alto investimento financeiro, com estrutura profissional, com aquele jeito de empresa web, bom acabamento e um apelo intangível da inocência africana! Era quase como um ato de boa fé! Eu mesmo embarquei nessa em 2005 e fui usuário e disseminador do Ubuntu até novembro de 2012. Cheguei até a fazer um bordão com o significado, para provocar os amigos do Debian: "Ubuntu é uma palavra africana que significa Debian bem feito". Provocação pura! Assim ajudei a disseminar o Ubuntu e a massificar o uso de "Linux", como todos os demais ativistas de Software Livre! Estava militando no movimento social mais justo e revolucionário de que tenho notícia! Isso sem falar no meu uso do Gmail.

O que aconteceu em outubro de 2012 foi uma das maiores traições à comunidade de Software Livre mundial. Os detalhes e suas consequências estão descritas no artigo Microsoftização da Canonical, mas em resumo, eles inseriram um spyware no ambiente gráfico padrão sem avisar nada a ninguém! E como se não bastasse a violação total de confiança, quando foram confrontados com os fatos, recorreram a argumentação mercadológica de que "todos estão fazendo isso, então não é nada grave demais. Vocês, os radicais, estão fazendo uma tempestade em um copo d'água". Desde então, minha confiança na Canonical e no Ubuntu foi reduzida a zero. Como confiar que essa é a única armadilha plantada sem conhecimento de ninguém? Afinal de contas as empresas de TI são repletas de ações anti éticas, amorais e mercadológicas que "todas fazem". Na Canonical não podemos mais confiar. E mais uma vez, a comunidade Software Livre em vez de se indignar, reclamar e deixar claro que não admitiria tamanha traição, fez o oposto: se fez de cega, surda e louca. Deu de ombros, creditou mais uma paranoia à FSF e Stallman e continuou usando e disseminando o spyware disfarçado de Software Livre, como se estivessem no maravilhoso mundo de Alice!

Perceba que seu desejo é que as pessoas, prefeituras, bancos e demais usem Software Livre. Então nada de Ubuntu, pois ele vem com um kernel cheio de componentes não livres e com spyware. Nada mais parecido com o Windows! Tanto que o amigo Júlio Neves o batizou de "Linux 8"! Mas alguns pseudo ativistas, inebriados pelo mercantilismo conseguem a proeza de deformar tanto a lógica livre, que tem propagado que usar Ubuntu é o mesmo que usar Debian! Um absurdo completo! E se fosse um desqualificado a ter feito tal afirmação, ainda vá lá! Mas estamos falando de gente da própria comunidade Debian!

Mas nem tudo está perdido, pois parte da comunidade Software Livre percebeu o engodo: não podemos mais pautar a liberdade tecnológica pelo dueto da massificação e mercantilização. Lentamente os sistemas operacionais estão perdendo a importância, sendo trocados por serviços e aplicativos na nuvem. Inclusive os computadores, o hardware mesmo. Hoje se troca de celular, tablet ou notebook sem maiores traumas, afinal de contas os arquivos e aplicações podem ser restaurados com alguns cliques. E são esses os grandes serviços que representam a maior opressão às liberdades que tanto defendemos. Google, Instagram, Facebook, Dropbox, Skype, Netflix e mais um monte de aplicações proprietárias tem se apropriado das tecnologias livres, das falhas em nossas licenças, e especialmente da complacência da comunidade e dos movimentos, para repensar seus modelos de negócio da forma mais lucrativa para eles usando nossos meios de produção, ideias e trabalho colaborativo. Nenhuma preocupação com liberdades ou direitos, apenas massificação e lucros!

Então, Bárbara, se você queria muito que as pessoas, prefeituras, bancos, negócios e demais usassem "Linux", pode relaxar: 90% dos smartphones do mundo usam Android. Seu maior desejo já é realidade. Sabendo disso, se pergunte como essa massificação no uso aumentou a autonomia, segurança ou liberdade das pessoas? Até onde consigo perceber, ao usar Andoid de fábrica, as pessoas estão carregando consigo sistemas de monitoramento em tempo real. Ao adicionar suas contas do Google e permitindo, automaticamente, que a mega corporação dos USA monitore cada movimento, ligação, mensagem, foto, desejo, ideia ou sonho, elas estão sendo mais livres? Mas pode ser ainda mais sinistro: estudo de caso feito pelo Facebook com 700 mil pessoas provou que eles são capazes, também, de influenciar diretamente o rumos e expectativas dos usuários! Não estão apenas monitorando, classificando, perfilando e categorizando. Estão gerando tendências artificialmente.

Sua insegurança é causada pelo choque de contrapor liberdade como algo que não pode ser conseguida sem um modelo de negócios que gere receita para pagar as contas. Essa é a grande mentira do sistema capitalista, onde o objetivo maior é ganhar dinheiro e não fazer as coisas do jeito certo. A concepção de que o objetivo maior é ganhar a vida antes de educar, ser educado, respeitar e ser respeitado é o que afoga a todos no mar de lama do consumismo. Como somos impelidos a nos classificar em sociedade, terminamos fazendo isso pelo consumo. Onde quem consome mais é melhor. Não se destaca quem respeita mais, ou quem ama mais, ou quem mais luta pelas minorias, ou quem, de fato, dedica a vida a defender a liberdade. A capacidade de acúmulo e consumo passou a definir quem se destaca. Antepor qualquer valor moral, ético ou até mesmo religioso a isso, te desqualifica em vez de te destacar.

Eu não estou me contrapondo a ganhar dinheiro. Não estou propondo viver de luz, nem nenhuma outra baboseira (me desculpem os bobos) desse tipo. Eu vivo de Software Livre! Ganho a vida da mesma forma que você e dos demais 95% dos humanos: vendendo minha força de trabalho. Viver de Software Livre é igual a viver de qualquer outro tipo de Software. É como plantar orgânico ou transgênico. Plantar é plantar oras! Mas o que se planta e como se planta, definira certamente o que se colhe. Eu planto Software Livre, sem agrotóxico, sem semente transgênica e sem atravessador. Quem me ensinou foi o Stallman.

Concordo muito contigo quando dizes "que não podemos ser livres assim, que não podemos mostrar a liberdade que temos (ou não temos), sem exemplos". Nós, os ativistas de Software Livre devemos dar o exemplo do que é ser livre tecnologicamente, e devemos defender essa liberdade. Devemos não fazer concessões, não sermos coniventes, não sermos acomodados ou complacentes, além de não nos deixar levar pelas ondas mercadológicas. Como ativistas, devemos nos recusar a usar ferramentas proprietárias e devassas como Facebook e Gmail. Devemos refutar com veemência o Ubuntu pela sua traição. Não devemos assinar o NetFlix. Devemos retomar o curso da defesa do Software Livre e seus símbolos: FSF, GNU e Stallman. Olhar para trás, identificar o erro e corrigi-lo, como bons hackers que somos!

Um dia, muitos optaram por se libertar do Windows! E isso foi muito além de apenas não usar Software Proprietário. Fomos criticos contumazes de seu modelo de negócio, dos seus ardis mercadológicos e de se seus anseios monopolistas. O que difere as empresas que citei antes da Microsoft? Foi a promessa de que uma nova ordem estava se estabelecendo e que nós faríamos parte dela. Uma nova ordem tecnológica que levaria liberdade, segurança e autonomia ao usuário. Então, uma vez empoderado, nós, os humanos conectados, seríamos mais fortes e poderíamos usar esse poder para transformar o Mundo em um lugar melhor, mais justo, mais limpo, mais fraterno. Eu sonhei isso contigo e com muitos outros.

Mas a realidade é bem diferente. Ingênuos, fomos usados, fomos corroídos por dentro pelo movimento contra-revolucionário chamado OSI. Esse movimento infiltrou o mercantilismo e a complacência com o Software Proprietário, sob o argumento da massificação de seu uso, e promoveu o "Linux" sobre o "GNU", os modelos negociais sobre as comunidades de usuários, o ganha-pão sobre o voluntariado, o Maddog sobre o Stallman, e como eles mesmo dizem, não veem mal algum em usar as redes sociais e serviços on-line privativos. Hora de reagir!

Então minha amiga. Concordamos que ser livre não é fácil. Será que concordaremos mais ainda?

Saudações Livres!