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Conteúdo do(a) PSL-Brasil publicado no Software Livre Brasil
Updated: 17 hours 40 min ago

FLISOL sem Ubuntu: explicando

Fri, 24/04/2015 - 15:30

Por Anahuac de Paula Gil.

A comunidade GNU/Linux mais ativa do Brasil está irritadíssima com a campanha do #FlisolSemUbuntu. E não poderia ser diferente, afinal de contas, alguém decidiu se opor a sua distribuição favorita. É como se alguém tivesse feito uma campanha contra seu time de futebol. Irrita mesmo.

Essa raiva se expressa de várias formas, e a mais evidente é a reação exagerada e a geração de FUD – Fear, uncertainty and doubt. Assim, em vez de esclarecer as coisas, elas se complicam mais ainda. Meias mentiras são propagadas de forma a desacreditar o recado original, gerando confusão, medo e dúvida. Esses são os “sabuntadores”

Vou tentar esclarecer os pontos mais polêmicos e ver se ajudo a contrapor os “sabuntadores” de plantão.

1 – Vocês estão segregando os usuários de Ubuntu do FLISOL!

Mentira pura. Se você tomar o cuidado de ler a minha petição por um FLISOL sem Ubuntu e a recomendação do Thiago Paixão, perceberá que o foco está na instalação de Ubuntu pelo FLISOL, nada mais. Usuários de Ubuntu poderão, deverão e serão recebidos com muito amor e carinho, da mesma forma que são recebidos usuários de outros sistemas operacionais.

Faz parte das regras gerais do FLISOL receber e atender qualquer pessoa que queira instalar Software Livre em qualquer sistema operacional, mesmo Windows ou MacOS. Então como assim estamos propondo uma segregação dos usuários de Ubuntu? Eles são muito bem-vindos! Serão ajudados como qualquer outra pessoa.

Sei que parece difícil de entender, mas o que estamos pedindo é que um evento de Software Livre não instale a distribuição que mais confronta o próprio Software Livre. Assim a recomendação é para que os voluntários do FLISOL não instalarem Ubuntu e dediquem boa parte do seu tempo explicando aos iniciantes os motivos.

Então imagens como esta ao lado, apesar de engraçadas, são puro FUD. Se você usa Ubuntu, vá ao FLISOL! Participe, converse e descubra opções 100% livres ou menos daninhas do que o Ubuntu.

2 – Porque a implicância com o Ubuntu?

Porque a Canonical tem um longo histórico de ações amorais e anti éticas que a confrontam a filosofia do Software Livre. Uma hora alguém tinha que achar ruim. Por mais que tentem minimizar a gravidade, é muito sério instalar spyware em um sistema operacional popular, sem dizer nada a ninguém. Não há justificativa. Trata-se de uma quebra de confiança mercadológica. E criar um botão para desativá-lo não mitiga em nada o problema.

É como ser traído pelo cônjuge. Depois de consumada a traição, a relação de confiança se desfaz. Há quem supere e perdoe, mas no caso da Canonical, sequer desculpas foram apresentadas. Na verdade, o posicionamento da empresa foi de fundamentação da ação, justificando-a como método comum do mercado e tentando desqualificar seu críticos. Resumindo: “trai sim e daí? Todo mundo faz isso, então não reclame.” Isso pode ser aceitável para você, mas não é para quem defende o Software Livre: primeiro a liberdade do software e depois os negócios.

Some a isso o fato do Ubuntu embutir drivers privativos no kernel linux sem te avisar. Parece mágica! Quando instalo Ubuntu tudo funciona de primeira, mas quando instalo as outras distribuições não. Bom amigão, hora de acordar: não é mágica, é software não livre embutido no sistema operacional sem nenhum alerta para você. Como isso pode ser bom para o Movimento Software Livre?

Considerando que o Windows tem Software Livre embutido e o Ubuntu tem software não livre embutido, que os diferencia é a quantidade de software não livre?

3 – Mas outras distribuições também tem “blobs” privativos, então focar só no Ubuntu não é hipocrisia?

Não é. Há níveis de gravidade e de adoção de drivers privativos em cada distribuição. Seria um injustiça absoluta colocar o Debian no mesmo “balaio” do Ubuntu. Até mesmo o openSUSE não vem com muitos dos drivers privativos que vem no Ubuntu.

Se fizéssemos uma campanha de ação condenando absolutamente todas as distribuições que usam drivers não livres, seríamos taxados de radicais, utópicos, “sem noção”, sonhadores… e seriamos automaticamente ignorados. Então decidimos focar na distro que mais agride os princípios do Software Livre.

A rigor, nenhuma distribuição contendo nenhum componente não livre deveria ser instalado no FLISOL. E o objetivo é chegar lá, ou melhor, voltar para lá, porque estou convencido que os idealizadores do FLISOL, quando pensaram no formato e nos objetivos do evento, jamais incluíram deliberadamente a ideia de distribuir software não livre. Um dia, seremos uma comunidade forte e consciente capaz de pressionar os fabricantes de hardware a liberarem seus drivers e essa discussão não será mais necessária.

Mas eu não acredito que conseguiremos pressionar os fabricantes de hardware a liberarem seus drivers usando massivamente seus drivers não livres.

Até lá teremos que dar um passo de cada vez. O primeiro é não instalar Ubuntu. Amanhã, poderemos ampliar o espectro de distribuições, quem sabe? Mas o objetivo certamente é ter um FLISOL que só instale e dissemine Software Livre.

4 – Mas e a liberdade de escolha?

Interessante que depois de tantos anos, esse argumento ainda encontre espaço em nossas comunidades. Você sabia que a Microsoft, em 2004, fez uma campanha que usava esse mesmo argumento para conter o uso de Software Livre no Governo Federal? “Campanha pela liberdade de escolha do software”.

Software Livre não defende a liberdade de escolha. Defende a liberdade do software. Escolher ser um prisioneiro do software privativo não é uma opção válida para quem defende a liberdade do Software. Por que? Ora, por que escolher usar um software não livre, tolhe sua liberdade, e aqui estamos preocupados com a liberdade do software.

Existe um movimento que tenta se confundir com o Software Livre, chama-se OSI – Open Source Initiative, que defende a liberdade de escolha. Eles são mais maleáveis e complacentes na convivência com softwares não livres. Em geral eles se preocupam mais com os negócios, o mercado e a comodidade do usuário, mesmo que isso represente usar software não livre. Mas isso não é Software Livre, é OSI. Se você acha que esse é um caminho válido e positivo, então talvez seu “lance” não seja Software Livre, mas OSI.

Mas perceba o nome do evento: FLISOL, e não FLOSI :-)

Se quer pregar a liberdade de escolha, perfeito! Mas lembre-se que isso não é Software Livre.

5 – Quanto mais gente usando melhor!

Os “sabuntadores” dirão que devemos sim instalar software não livre para ajudar na massificação do uso do Linux e que então, uma vez massificado o Software Livre prevalecerá. E esse argumento é uma tremenda confusão em si mesmo:

a) Como assim distribuir algo ajuda a popularizar a antítese desse algo? Exemplificando: como assim distribuir cigarros ajuda a combater o tabagismo?

b) O Linux, o kernel, já esta sendo distribuído com centenas de drivers não livres a muito tempo. E cada dia ele tem mais e mais software privativo dentro. Tanto que foi criado um fork do projeto que se chama linux-libre, cujo símbolo é um pinguim “limpinho” :-). Então quem quer mesmo massificar o uso de “linux”?

c) O argumento da massificação parece perfeito em tese, mas na prática tem se mostrado absolutamente errado. Se o objetivo é atingir massa crítica para pressionar desenvolvedores e fabricantes de hardware e liberar seus códigos, o que estamos vendo é o oposto disso. Veja quantos bilhões de usuários de Android, que no fundo é “Linux” e nenhuma reação contrária aos Software Privativos Na verdade aconteceu o oposto, o Android cada dia é mais fechado e a disseminação de apps não livres reina absoluta e cresce diariamente.

O que dizer então do Ubuntu com sua base de instalações que já passam de 20 milhões no mundo todo? Não é meio estranho que a maior e mais atuante comunidade de usuários seja da distribuição que menos respeita a filosofia do Software Livre? da que menos respeita a privacidade de seus usuários? A que mais favorece os fabricantes de hardware distribuindo silenciosamente seus drivers não livres embutidos no kernel?

A grande maioria de nós caiu nesse “conto do vigário”, eu incluído. Usei Ubuntu por anos e até me convenci de que um pouco de software não livre poderia ajudar o Movimento Software Livre e a causa. Eu mesmo usei o acrônimo falacioso “FOSS”. Eu estava errado. O que se viu nos últimos anos foi um crescimento exponencial no uso de software não livre, o enfraquecimento das comunidades atuantes que foram cooptadas pelos serviços privativos on-line, pelas distribuições recheadas de software privativos e de lideranças confusas usando ícones do Software Privativo como Gmail, Facebook e iPhone.

O Movimento Software Livre sempre foi de vanguarda, questionador, disposto ao embate intelectual e sempre alinhado com seus preceitos filosóficos. Acredito que a Canonical e seu Ubuntu são os maiores responsáveis pela sabotagem que estamos sofrendo: se por um lado aumenta o número de usuários, do outro diminui a importância dada à liberdade do software.

A pergunta que deixo para vocês é: quem ganha com o enfraquecimento ideológico do Movimento Software Livre?

Desejo a todos um excelente #Flisol2015 mas que seja um #FlisolSemUbuntu !

Saudações Livres!

Texto original em: http://www.anahuac.eu/flisol-sem-ubuntu

“Carta à Presidenta Dilma Rousseff sobre o acordo com o Facebook”

Fri, 24/04/2015 - 09:06

"Na tarde desta quarta-feira (22), foi entregue à Presidência da República (além dos Ministérios da Justiça e da Cultura) uma carta, assinada por 20 organizações da sociedade civil (incluindo o IBIDEM) e 13 pessoas individualmente,  a respeito dos graves problemas relacionadas à anunciada parceria entre o governo federal e o Facebook para promover o acesso à Internet no Brasil por meio do projeto Internet.org.

No documento, reproduzido integralmente abaixo, entre outros pontos, constam uma defesa dos “fundamentos e princípios basilares do Marco Civil da Internet, da Declaração Multissetorial do NETMundial e dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil do CGI.br“; um alerta sobre os riscos tanto da prática do zero-rating como da vigilância em massa por meio de empresas privadas como o Facebook; e o requerimento de que a Presidenta adote uma postura democrática e transparente e busque dialogar de forma aberta com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo.

São Paulo, 23 de Abril de 2015

À Exma.
Presidente da República Federativa do Brasil
Sra. Dilma Roussef

Att.: Carta à Presidente Dilma Roussef sobre o acordo com o Facebook

Exma. Sra. Presidente,

As organizações e indivíduos abaixo assinados vêm por meio desta manifestar sua contribuição ao debate com relação ao recente anúncio realizado por Vossa Excelência durante a 7º Cúpula das Américas sobre o estabelecimento de uma parceria com o Facebook para a implementação do projeto “Internet.org” no Brasil.

Embora estejamos de acordo com o diagnóstico de que há um grande déficit na qualidade e na extensão do acesso à Internet fixa e móvel em países em desenvolvimento como o Brasil, consideramos que este projeto que vem sendo promovido pelo Facebook em diversos países da América Latina, África e Ásia, pode colocar em risco o futuro da sociedade da informação, da economia no meio digital e os direitos que os usuários usufruem na rede, como a privacidade, a liberdade de expressão e a neutralidade da rede.

Pelo que foi apurado sobre o projeto até o momento, acreditamos que, ao prometer acesso gratuito e exclusivo a determinados serviços e aplicativos, o Facebook está na verdade limitando o acesso à Internet aos demais serviços existentes na rede e oferecendo aos que têm menos recursos econômicos o acesso a apenas uma parte do que constitui a Internet, o que viola os fundamentos e princípios basilares do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), da Declaração Multissetorial do NETMundial e dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil do CGI.br (RES/2009/003/P), conforme elencamos a seguir:

  • A lei nº 12.965/2014 que institui como fundamento do uso da Internet a liberdade de expressão, o reconhecimento da escala mundial da rede, a pluralidade e a diversidade, a abertura e a colaboração, a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor (art.2º), assim como reconhece os princípios da proteção da privacidade, a preservação e garantia da neutralidade de rede e a garantia da preservação da natureza participativa da rede (art.3º). Lembramos também que a referida lei estabelece como objetivo do uso da Internet o direito de acesso a todos, o acesso à informação, ao conhecimento, à participação na vida cultural e política, a inovação e a adesão a padrões tecnológicos abertos(art.4º);
  • O Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NETMundial) reconheceu que a Internet é um recurso global que deve ser gerida pelo interesse público, e identificou um conjunto de princípios comuns e valores, dentre os quais gostaríamos de ressaltar o caráter de espaço unificado e não fragmentado, onde datagramas e informação fluam livremente de ponta a ponta independentemente de seu conteúdo legal, a proteção e promoção da diversidade cultural e linguística, a arquitetura aberta e distribuída, preservando o ambiente fértil e inovador, a promoção de padrões abertos consistentes com os direitos humanos e com o desenvolvimento e a inovação na rede, e a preservação de um ambiente favorável à inovação sustentável e à criatividade, reconhecendo o empreendedorismo e o investimento em infraestrutura como condições para a inovação;
  • Os Princípios para a Governança e Uso da Internet do Brasil aprovados pelo CGI.br, o Comitê Multissetorial de Governança da Internet no Brasil, que buscam embasar e orientar ações e decisões com vistas à governança democrática e colaborativa, preservando e estimulando o caráter de criação coletiva da Internet, a universalidade, a diversidade, a inovação, a neutralidade e a padronização e interoperabilidade da rede.

Enfatizamos ainda que essa estratégia do Facebook e de outras grandes empresas, realizada em parceria com as operadoras de telecomunicações, representa uma grave violação da regra da neutralidade quando promove “acesso para todos” sob a máxima “internet grátis”. Esta prática que permite que apenas alguns aplicativos e serviços tenham privilégios na rede é conhecida internacionalmente como zero-rating (taxa zero) e, mesmo que possibilite o uso dos serviços mais populares, no longo prazo acaba gerando concentração da infraestrutura e monopólio sobre o tráfego de dados na rede, reduzindo tanto a disponibilidade de conteúdos, aplicativos e serviços na Internet, quanto a liberdade de escolha do usuário. Com isso, cabe perguntarmos como se espera que o Brasil desenvolva o setor de aplicativos, um dos mercados que mais cresce no mundo, se estes terão limitado seu acesso a grande parte da população.

O modelo proposto pelo projeto Internet.org tem também efeitos desastrosos para o desenvolvimento das culturas regionais, comprometendo o direito de acesso à informação ao violar outro princípio fundamental do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a liberdade de expressão. Em geral, plataformas como Facebook controlam por meio dos seus algorítimos e termos de uso os conteúdos e dados que circulam na rede, determinando de maneira centralizada e de acordo com critérios próprios e pouco transparentes os conteúdos mais visualizados pelos usuários. Tal cenário se agrava se lembrarmos que boa parcela da receita das empresas de Internet e operadoras de telefonia são hoje provenientes da venda de aplicações e conteúdos que acabam sendo fornecidos de forma imposta e verticalizada nos pacotes de serviços. A formação de conglomerados econômicos, devido ao processo de convergência dos meios de comunicação, tem feito com que as empresas que prestam serviços de acesso à Internet sejam as mesmas que fornecem conteúdos, gerando ainda mais concentração. Essa limitação do número de serviços e aplicativos disponíveis resulta no desrespeito ao direito de escolha dos consumidores e à livre concorrência, a limitação da diversidade cultural e o cerceamento do livre fluxo de informações na rede.

Não podemos esquecer ainda que a plataforma tecnológica do Facebook tem sido uma das principais portas para a vigilância em massa, colocando em risco outro importante princípio do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a privacidade dos cidadãos. A ausência de uma lei de proteção de dados no país agrava o problema e faz com que hoje os possíveis usuários dos serviços que serão disponibilizados pelo Internet.org fiquem vulneráveis aos interesses comerciais dessa plataforma e às pressões políticas que uma empresa com sede nos Estados Unidos está sujeita.

É por considerar que a universalização do acesso à Internet se dá a partir de políticas coerentes com a sua essencialidade, o que passa pela prestação do serviço de telecomunicações que lhe dá suporte também em regime público e pelo fortalecimento de políticas já existentes, tais como cidades digitais, provedores comunitários integrados a telecentros, pontos de cultura, GESAC, estações digitais e iniciativas de comunicação comunitária, que nos posicionamos veementemente contra o acesso privilegiado ao mercado e aos dados dos brasileiros que o Facebook pretende obter com seu projeto através do Internet.org. Dentre as excelentes alternativas internacionais que poderiam ser aproveitadas, cabe também mencionar o Plan Ceibal no Uruguai, que busca fomentar as redes livres, o GuifiNet, uma parceria entre sociedade, ONGs e governos, OpenWRT, Commotion Wireless, entre outros.

Por último, vale lembrar que o Brasil possui um enorme contingente de organizações e ativistas que vem atuando na promoção da inclusão digital. Ainda que nas políticas de acesso à banda larga o diálogo entre governo e sociedade civil não tenha se estabelecido de maneira satisfatória como ocorreu no Marco Civil, a aprovação da lei e seu processo de regulamentação são exemplares no incentivo à participação social e na existência de um canal efetivo de interlocução entre ambos os setores. A notícia de uma parceria com a empresa Facebook sem qualquer conhecimento prévio pela sociedade civil, no entanto, diverge da postura democrática, transparente e inclusiva que tem sido adotada nas decisões e discussões relacionadas ao Marco Civil da Internet.

Conforme o exposto acima, concluímos que é de extrema importância que se preserve o desenvolvimento da economia digital e que se garantam os direitos estabelecido pela Marco Civil da Internet assim como os princípios estabelecidos no encontro multissetorial Netmundial. Assim, as entidades ora signatárias requerem:

  1. Que não sejam firmados quaisquer acordos com a empresa Facebook no âmbito da sua iniciativa Internet.org que tenham como objeto o provimento de acesso grátis à Internet;
  2. Que quaisquer acordos que venham a ser firmados com a empresa Facebook – ou quaisquer outras empresas – respeitem os direitos positivados pelo Marco Civil, em especial o da neutralidade de rede; e
  3. Buscar a realização de amplo debate com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo.

Desde já nos colocamos à disposição para um encontro presencial com Vossa Excelência para debatermos melhor o assunto e certos de sua habitual atenção, subscrevemos.

Alquimídia*
Artigo 19
Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital – ABCID
Associação Software Livre do Brasil – ASL

Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada*
Co:Laboratório de Desenvolvimento e Participação – COLAB/USP
Coletivo Digital
Coletivo Soylocoporti
Fora do Eixo*
Frente Acorda Cultura
Hacklab Independência
Instituto Bem Estar Brasil
Instituto Beta Para Internet e Democracia – IBIDEM
Instituto de Defesa do Consumidor – Idec
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Mídia Ninja*
Movimento Mega
PimentaLab – Unifesp
PROTESTE – Associação de Consumidores
Recursos Educacionais Abertos Brasil – REA-Br
Rede Livre
União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura – ULEPICC-Br
youPIX*

Anahuac de Paula Gil
Augusto César Pereira da Silva
Bruno Freitas
Camila Agustini
Raphael Martins
Diego Viegas
Hilton Garcia Fernandes
Iuri Guilherme dos Santos Martins
Marco Gomes
Raphael Martins
Reinaldo Bispo
Thadeu Cascardo
Thiago Zoroastro

(* Assinaturas inseridas após a entrega da carta à Presidenta Dilma Rousseff, por ocasião da entrega ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira.)

Vale lembrar que, em entrevista a blogueiros promovida pela Fórum, Dilma Roussef afirmou que a conversa amigável com Mark Zuckerberg no Panamá não teria nada de concreto antes de junho, quando o fundador do Facebook viria ao Brasil para apresentar uma proposta inicial."

fonte: http://ibidem.org.br/carta-a-presidente-dilma-rousseff-sobre-o-acordo-com-o-facebook/

USP executa maior nuvem educacional da América Latina em #SoftwareLivre

Thu, 23/04/2015 - 16:40

A ShapeBlue – uma empresa focada no Apache CloudStack, anunciou hoje que foi selecionada para ajudar a Universidade de São Paulo a expandir e melhorar sua enorme nuvem privada, migrando para a tecnologia de código aberto Apache Cloudstack. O projeto também envolve desenvolver um conjunto de novos recursos para a sua nuvem.

A USP é a maior universidade da América Latina, gradua mais doutores que qualquer outra no mundo e é a quinta em número de artigos científicos publicados. A USP é um dos institutos líderes em pesquisa contando com 100.000 estudantes, 6.000 professores e 17.000 funcionários.

 

Um pouco de história

Em 2012, a USP iniciou um processo de construção de um ambiente de nuvem privada para ajudá-la a superar o desafio de ter 150 ambientes de TI diferentes e uma crescente demanda por recursos computacionais e de armazenamento em seu dinâmico ambiente de pesquisas. A primeira versão da InterNuvem USP reduziu os 150 datacenters da universidade para apenas 6 e consolidou os ambientes corporativo, educacional e de pesquisas em um único com recursos consolidados que podem ser requisitados diretamente pelos usuários. O projeto inicial foi um grande sucesso e permitiu que a universidade reduzisse seus recursos físicos de armazenamento em 90%, embora os dados em si tenham crescido mais de 300%, possibilitando aumentar enormemente a eficiência operacional de TI.

 

Demanda por escala

A InterNuvem USP, tem sido um sucesso tão grande que possibilitou fornecer pelos próximos anos mecanismos que possibilitam aumentar sua escala rapidamente.

Cyrano Rizzo, diretor de datacenters na USP explica: “A InterNuvem USP já é um ambiente enorme mas as necessidades dos nossos departamentos exigem que escalemos a estrutura computacional em mais de 300% no próximo ano. Assim, tivemos que planejar cuidadosamente o futuro da plataforma tecnológica e ter certeza em escolher algo que seja ao mesmo tempo confiável e escalável, nos dando a agilidade que precisamos.

Anteriormente nós usávamos uma distribuição comercial do Apache Cloudstack que nos apresentou deficiências em relação ao desenvolvimento de novos recursos que necessitávamos além de ter um custo alto em escala. Ao mudarmos para uma plataforma de código aberto, poderemos desenvolver rapidamente quaisquer novas funcionalidades que necessitarmos e, em contra-partida, envolver-se diretamente com o desenvolvimento principal e manutenção. Isso nos liberta de ciclos de desenvolvimento guiados por motivos comerciais e nos permite focar no que realmente precisamos para o nosso ambiente.

O Apache Cloudstack foi a escolha natural pois é a base de nossa tecnologia comercial atual. Isto também significa que não teremos uma curva de aprendizado difícil na migração. Já estamos participando ativamente da Comunidade Apache CloudStack.

 

Desenvolvimento mais ágil de recursos

Além de aumentar enormemente a escala do ambiente, a ShapeBlue estará ajudando a USP a entregar novas e excitantes funcionalidades para seus usuários. Uma oferta de PaaS (baseada no projeto de código aberto Tsuru) será integrada e novos recursos irão permitir à USP confederar sua segurança com a comunidade acadêmica. A funcionalidade de rede será estendida para a Universidade e um mecanismo para rastrear financeiramente a estrutura da nuvem será desenvolvido.

Cyrano explicou que “migrar para a plataforma de código aberto  não tem como motivo principal seu custo. É sobre nossa habilidade de contribuir diretamente com os recursos que precisamos para a plataforma. O Cloudstack, como um projeto da Fundação Apache, é muito maduro e uma comunidade bem administrada. Nós apreciamos muito o fato deste projeto ser impulsionado pelos seus usuários e não por empresas de software. Um desenvolvimento baseado em interesses comerciais simplesmente não pode nos dar a agilidade que precisamos.”

 

Ajuda com conhecimento

De modo a realizar sua visão, a USP decidiu que precisava de um parceiro que pudesse prover a especialização profissional e experiência. Depois de uma licitação pública a ShapeBlue foi escolhida.

Cyrano diz: “Selecionamos através de processo licitatório a ShapeBlue para trabalhar conosco neste projeto. Estamos extremamente impressionados com seu conhecimento, profissionalismo e sua vasta experiência em implementar ambientes como o nosso. Não há outra empresa com este perfil.”

Marco Sinhoreli, Managing Consultant da ShapeBlue Brasil comentou “A InterNuvem USP é um dos maiores ambientes de nuvem privada do mundo. Estamos muito excitados por termos vencido esta licitação e de estarmos trabalhando com a USP neste projeto.

Para maiores informações:

www.usp.br

www.shapeblue.com

www.cloudstack.org

www.tsuru.io

fonte: http://www.shapeblue.com/pt-br/usp-migra-para-a-plataforma-de-codigo-aberto-apache-cloudstack-para-executar-a-maior-nuvem-educacional-da-america-latina/

Secretaria-Geral da Presidência promove oficina de gamificação do Noosfero

Thu, 23/04/2015 - 15:33

Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR) vai promover no próximo sábado (25) uma oficina de participação social digital para aplicar conceitos de jogos na plataforma Participa.br - que adota o software livre Noosfero. A oficina faz parte da programação do Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre (Flisol), realizado, ao mesmo tempo, em diversas da América Latina. No Brasil, haverá atividades em mais de 80 cidades.

A oficina da Secretara-Geral está aberta a 80 participantes e pretende estimular a mobilização e o engajamento nos processos participativos, por meio dos conceitos de jogos como desafios, rankings, pontuação e medalhas. As atividades terão a presença de palestrantes especializados em gamificação, desenvolvedores Noosfero da Colivre e outros atores vinculados ao processo de desenvolvimento da plataforma Participa.BR. A edição de 2015 do Flisol-DF será realizada na Faculdade Anhanguera (FACNET), no Taguatinga Shopping. A atividade é aberta e gratuita, assim como o FLISOL-DF. Qualquer pessoa pode participar e colaborar.

Premiação

Os autores das três sugestões priorizadas pela votação na consulta pública sobre gameficação, realizada pelo portal Participa.br, entre os dias 3 e 28 de fevereiro, vão participar do Flisol-DF. Eles também vão acompanhar a próxima etapa de desenvolvimento do Participa.br, que permite a participação social na construção da própria plataforma. Os vencedores são Diônifer Alan da Silveira, de Porto Alegre (RS), João Henrique Teixeira de Mendonça e Adriana Veloso Meireles, ambos de Brasília (DF).

Conceito

A gamificação ou ludificação, como o termo é conhecido no Brasil, é a aplicação de elementos e conceitos de design de jogos em outros contextos, que não são jogos eletrônicos. No contexto do Particpa.br, o conceito é utilizado para estimular a mobilização e engajamento de cidadãs e cidadãos em processos de interação e participação social.

Serviço:

Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre (Flisol)

Data: 25 de abril (sábado)

Horário: 8h às 18h

Local: Faculdade Anhanguera (FACNET), no Taguatinga Shopping

Informações: http://flisoldf.blog.br ou http://flisol.info

Fonte: http://secretariageral.gov.br

 

 

Vamos participar do Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre - FLISOL?!

Wed, 22/04/2015 - 21:26

No próximo sábado dia 25 de abril vai acontecer a 11ª edição do  Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre - FLISOL.

Neste ano, além do Brasil essa data é comemorada na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Espanha, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.


 

 O que é o FLISOL? 

"O Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre (FLISoL) é o maior evento da América Latina de divulgação de Software Livre. Ele é realizado desde o ano de 2005, e desde 2008 sua realização acontece no 4o. sábado de abril de cada ano.

Seu principal objetivo é promover o uso de Software Livre, mostrando ao público em geral sua filosofia, abrangência, avanços e desenvolvimento.

Para alcançar estes objetivos, diversas comunidades locais de Software Livre, organizam simultâneamente eventos em que se instala, de maneira gratuita e totalmente legal, Software Livre nos computadores dos participantes. Além disso, paralelamente acontecem palestras, apresentações e workshops, sobre temas locais, nacionais e latino-americanos sobre Software Livre, em toda a sua expressão: artística, acadêmica, empresarial e social.Fonte

 

No Brasil ao todo são 22 estados que estão organizando o evento que é gratuito, em casa cidade existem atividades diversas sendo que o install fest é o elemento fundamental.

Se você quiser pode organizar o FLISOL no formato de sua preferência, existem cidades que fazem palestras e oficinas, outras optam por rodas de conversa sobre Software Livre, o importante mesmo é marcar presença no evento e reunir as pessoas.

1. Alagoas 
Palmeira dos Indios  
Maceió

2. Bahia
Bom Jesus da Lapa
Salvador
Sobradinho
Teixeira de Freitas
Vitória da Conquista

3. Ceará
Acaraú
Crateús
Fortaleza
Itapipoca
Icó
Jaguaruana
Juazeiro do Norte
Quixadá
Reriutaba
São Gonçalo do Amarante
Sobral
Ubajara

4. Distrito Federal
DF

5. Espírito Santo
Vila Velha

6. Goiânia
Anapolis
Goiânia
Jataí
Luziânia
Uruaçu

7. Maranhão
São Luís

8. Mato Grosso
Sinop
Rondonópolis

9. Mato Grosso do Sul
Aquidauana
Campo Grande
Coxim

10. Minas Gerais
Araguari
Betim
Paracatu
Poço Fundo
Pouso Alegre
Uberlândia
Varginha

11. Pará
Belém
Conceição do Araguaia

12. Paraíba
Campina Grande

13. Paraná
Cascavel
Castro
Curitiba
Dois Vizinhos
Francisco Beltrão
Jandaia do Sul

14. Pernambuco
Recife

15. Piauí
Teresina

16. Rio Grande do Norte
Mossoró
Natal

17. Rio de Janeiro
Niterói
Resende
Rio de Janeiro

18. Rio Grande do Sul

Novo Hamburgo
Pelotas
Porto Alegre
Santiago
São Borja
Gravataí

19. Santa Catarina
Chapecó
Criciúma
Joinville

20. Sergipe
Aracaju

21. São Paulo
Amparo
Araraquara
Barretos
Bauru
Boituva
Campinas
Catanduva
Itapetininga
Lorena
Marília
Ourinhos
Pederneiras
Rio Claro
Salto
São Carlos
São Caetano do Sul
São José do Rio Preto
São Paulo
Ubatuba
Votuporanga

22. Tocantins
Araguatins
Colinas do Tocantins
Palmas

 

Para quem se animar e quiser organizar o evento na sua cidade no próximo ano é só se inscrever na lista de discussão para receber as orientações e cadastrar a cidade AQUI. Garanto que será uma experiência inesquecível e gratificante! 

Organizações entregam carta à Presidenta @Dilmabr sobre o acordo com o Facebook. Leia aqui!

Wed, 22/04/2015 - 21:26

Por Marcelo D'Elia Branco

Hoje a tarde, foi protocolado no gabinete da Presidência da República carta de organizações e  ativistas se manifestando a respeito do possível acordo do governo brasileiro com o Facebook.

Veja o conteúdo na íntegra:

São Paulo, 23 de Abril de 2015

À Exma.

Presidente da República Federativa do Brasil

Sra. Dilma Roussef

Att.: Carta à Presidente Dilma Roussef sobre o acordo com o Facebook

Exma. Sra. Presidente,

As organizações e indivíduos abaixo assinados vêm por meio desta manifestar sua contribuição ao debate com relação ao recente anúncio realizado por Vossa Excelência durante a 7º Cúpula das Américas sobre o estabelecimento de uma parceria com o Facebook para a implementação do projeto "Internet.org" no Brasil.

Embora estejamos de acordo com o diagnóstico de que há um grande déficit na qualidade e na extensão do acesso à Internet fixa e móvel em países em desenvolvimento como o Brasil, consideramos que este projeto que vem sendo promovido pelo Facebook em diversos países da América Latina, África e Ásia, pode colocar em risco o futuro da sociedade da informação, da economia no meio digital e os direitos que os usuários usufruem na rede, como a privacidade, a liberdade de expressão e a neutralidade da rede.

Pelo que pudemos apurar sobre o projeto, acreditamos que ao prometer acesso gratuito e exclusivo a determinados serviços e aplicativos o Facebook está na verdade limitando o acesso à Internet aos demais serviços existentes na rede e oferecendo aos que têm menos recursos econômicos o acesso a apenas uma parte do que constitui a Internet, o que viola os fundamentos e princípios basilares do Marco Civil da Internet (Lei nº 12965), da Declaração Multissetorial do NETMundial e dos Princípios para a Governança e Uso da Internet no Brasil do CGI.br (RES/2009/003/P), conforme elencamos a seguir:

  • A lei nº 12965 que institui como fundamento do uso da Internet a liberdade de expressão, o reconhecimento da escala mundial da rede, a pluralidade e a diversidade, a abertura e a colaboração, a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumidor (art.2º), assim como reconhece os princípios da proteção da privacidade, a preservação e garantia da neutralidade de rede e a garantia da preservação da natureza participativa da rede (art.3º). Lembramos também que a referida lei estabelece como objetivo do uso da Internet o direito de acesso a todos, o acesso à informação, ao conhecimento, à participação na vida cultural e política, a inovação e a adesão a padrões tecnológicos abertos(art.4º);
  • O Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NETMundial) reconheceu que a Internet é um recurso global que deve ser gerida pelo interesse público, e identificou um conjunto de princípios comuns e valores, dentre os quais gostaríamos de ressaltar o caráter de espaço unificado e não fragmentado, onde datagramas e informação fluam livremente de ponta a ponta independentemente de seu conteúdo legal, a proteção e promoção da diversidade cultural e linguística, a arquitetura aberta e distribuída, preservando o ambiente fértil e inovador, a promoção de padrões abertos consistentes com os direitos humanos e com o desenvolvimento e a inovação na rede, e a preservação de um ambiente favorável à inovação sustentável e à criatividade, reconhecendo o empreendedorismo e o investimento em infraestrutura como condições para a inovação;
  • Os Princípios para a Governança e Uso da Internet do Brasil aprovados pelo CGI.br, o Comitê Multissetorial de Governança da Internet no Brasil, que buscam embasar e orientar ações e decisões com vistas à governança democrática e colaborativa, preservando e estimulando o caráter de criação coletiva da Internet, a universalidade, a diversidade, a inovação, a neutralidade e a padronização e interoperabilidade da rede.

Enfatizamos ainda que essa estratégia do Facebook e de outras grandes empresas, realizada em parceria com as operadoras de telecomunicações, representa uma grave violação da regra da neutralidade quando promove "acesso para todos" sob a máxima "internet grátis". Esta prática que permite que apenas alguns aplicativos e serviços tenham privilégios na rede é conhecida internacionalmente como zero-rating(taxa zero) e, mesmo que possibilite o uso dos serviços mais populares, no longo prazo acaba gerando concentração da infraestrutura e monopólio sobre o tráfego de dados na rede, reduzindo tanto a disponibilidade de conteúdos, aplicativos e serviços na Internet, quanto a liberdade de escolha do usuário. Com isso, cabe perguntarmos como se espera que o Brasil desenvolva o setor de aplicativos, um dos mercados que mais cresce no mundo, se estes terão limitado seu acesso a grande parte da população.

O modelo proposto pelo projeto Internet.org tem também efeitos desastrosos para o desenvolvimento das culturas regionais, comprometendo o direito de acesso à informação ao violar outro princípio fundamental do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a liberdade de expressão. Em geral, plataformas como Facebook controlam por meio dos seus algorítimos e termos de uso os conteúdos e dados que circulam na rede, determinando de maneira centralizada e de acordo com critérios próprios e pouco transparentes os conteúdos mais visualizados pelos usuários. Tal cenário se agrava se lembrarmos que boa parcela da receita das empresas de Internet e operadoras de telefonia são hoje provenientes da venda de aplicações e conteúdos que acabam sendo fornecidos de forma imposta e verticalizada nos pacotes de serviços. A formação de conglomerados econômicos, devido ao processo de convergência dos meios de comunicação, tem feito com que as empresas que prestam serviços de acesso à Internet sejam as mesmas que fornecem conteúdos, gerando ainda mais concentração. Essa limitação do número de serviços e aplicativos disponíveis resulta no desrespeito ao direito de escolha dos consumidores e à livre concorrência, a limitação da diversidade cultural e o cerceamento do livre fluxo de informações na rede.

Não podemos esquecer ainda que a plataforma tecnológica do Facebook tem sido uma das principais portas para a vigilância em massa, colocando em risco outro importante princípio do Marco Civil e da declaração Multissetorial do NETMundial que é a privacidade dos cidadãos. A ausência de uma lei de proteção de dados no país agrava o problema e faz com que hoje os possíveis usuários dos serviços que serão disponibilizados pelo Internet.org fiquem vulneráveis aos interesses comerciais dessa plataforma e às pressões políticas que uma empresa com sede nos Estados Unidos está sujeita.

É por considerar que a universalização do acesso à Internet se dá a partir de políticas coerentes com a sua essencialidade, o que passa pela prestação do serviço de telecomunicações que lhe dá suporte também em regime público e pelo fortalecimento de políticas já existentes, tais como cidades digitais, provedores comunitários integrados a telecentros, pontos de cultura, GESAC, estações digitais e iniciativas de comunicação comunitária, que nos posicionamos veementemente contra o acesso privilegiado ao mercado e aos dados dos brasileiros que o Facebook pretende obter com seu projeto através do Internet.org. Dentre as excelentes alternativas internacionais que poderiam ser aproveitadas, cabe também mencionar o Plan Ceibal no Uruguai, que busca fomentar as redes livres, o GuifiNet, uma parceria entre sociedade, ONGs e governos, OpenWRT, Commotion Wireless, entre outros.

Por último, vale lembrar que o Brasil possui um enorme contingente de organizações e ativistas que vem atuando na promoção da inclusão digital. Ainda que nas políticas de acesso à banda larga o diálogo entre governo e sociedade civil não tenha se estabelecido de maneira satisfatória como ocorreu no Marco Civil, a aprovação da lei e seu processo de regulamentação são exemplares no incentivo à participação social e na existência de um canal efetivo de interlocução entre ambos os setores. A notícia de uma parceria com a empresa Facebook sem qualquer conhecimento prévio pela sociedade civil, no entanto, diverge da postura democrática, transparente e inclusiva que tem sido adotada nas decisões e discussões relacionadas ao Marco Civil da Internet.

Conforme o exposto acima, concluímos que é de extrema importância que se preserve o desenvolvimento da economia digital e que se garantam os direitos estabelecido pela Marco Civil da Internet assim como os princípios estabelecidos no encontro multissetorial Netmundial. Assim, as entidades ora signatárias requerem:

  1. Que não sejam firmados quaisquer acordos com a empresa Facebook no âmbito da sua iniciativa Internet.org que tenham como objeto o provimento de acesso grátis à Internet; e
  2. Que quaisquer acordos que venham a ser firmados com a empresa Facebook - ou quaisquer outras empresas - respeitem os direitos positivados pelo Marco Civil, em especial o da neutralidade de rede;
  3. Buscar a realização de amplo debate com a sociedade civil antes de fechar acordos desse tipo.

Desde já nos colocamos à disposição para um encontro presencial com Vossa Excelência para debatermos melhor o assunto e certos de sua habitual atenção, subscrevemos.

  • Associação Software Livre do Brasil - ASL
  • Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé
  • Co:Laboratório de Desenvolvimento e Participação – COLAB/USP
  • Coletivo Digital
  • Coletivo Soylocoporti
  • Frente Acorda Cultura
  • Hacklab Independência
  • Instituto Bem Estar Brasil
  • Instituto Beta Para Internet e Democracia - IBIDEM
  • Instituto de Defesa do Consumidor - Idec
  • Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
  • PimentaLab – Unifesp
  • PROTESTE - Associação de Consumidores
  • Recursos Educacionais Abertos Brasil – REA-Br
  • Rede Livre
  • União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura - ULEPICC-Br

 

Manifesto contra a Pseudociência no FISL 16

Wed, 22/04/2015 - 21:26

Por Ademar Leão

No início deste ano, a ASL perguntou, na web, como deveria ser o FISL que queremos. Aproveito essa oportunidade para manifestar meu descontentamento com os rumos que este evento está tomando.

É lamentável constatarmos, edição após edição, que o Fórum Internacional de Software Livre, um dos – senão o – maiores eventos voltados ao tema da América Latina, está se tornando, cada vez mais, um palco para a pseudociência e para apresentações de empresas que pouco ou nada tem a ver ou contribuem para o verdadeiro software livre.

Nesta nova edição, o FISL 16, novamente teremos um grupo falando sobre os supostos benefícios da chamada “energia livre” ou “revolução energética”. É claro que, com a mais do que evidente crise hídrica e energética que nosso país atravessa nesse momento, torna-se válido discutirmos alternativas aos meios tradicionais de geração e de distribuição de energia; no entanto, tais discussões devem ser amparadas em conhecimentos acadêmicos e no método científico a fim de serem consideradas válidas, sob pena de estar-se desperdiçando o tempo e o dinheiro dos visitantes em objetos, discursos e invenções que podem ser considerados… besteiras. Além, do mais, não consigo enxergar uma ligação clara entre a “energia livre” e o software livre, que deveria ser o tema principal do fórum.

No FISL 14, aquele que teve as bobinas de Tesla, em um dos estandes voltados à energia livre, um expositor estava falando das pesquisas atuais naquele campo e, em determinado momento, exibiu um ventilador que se alimenta sozinho e que, em suas palavras, seria “quase um moto-perpétuo”. Tal dispositivo revolucionário, no entanto, nada mais era do que um motor Keppe, o qual já foi provado ser uma fraude[1].

Já no FISL 15, foram feitas palestras a respeito desse tema, mencionando-se a figura de Nikola Tesla[2], que sem dúvida contribuiu enormemente para o campo energético. No entanto, tais palestras geralmente tendem a passar um tom conspiratório, dizendo que o mesmo teria descoberto uma fonte de energia limpa e livre e que seu laboratório e suas pesquisas teriam sido destruídas por grandes magnatas da indústria petrolífera. Tudo isso é, para dizer o mínimo, bastante duvidoso e contestado por estudiosos sérios[3].

O tom conspiratório também estará presente na edição deste ano, quando será apresentado um veículo laboratório movido com gás hidróxi[4] que, apesar de possuir várias pesquisas sendo feitas nesse campo, atualmente é considerado bastante ineficiente[5].

Não bastasse isso, muitas das palestras que estão sendo apresentadas durante o fórum simplesmente não possuem uma relação clara ou direta com o software livre. Exemplo disso foi uma palestra do Facebook, um dos maiores inimigos de nossa privacidade digital, no FISL 14, na qual apenas foi explicado, basicamente, como eles distribuem seus servidores de DNS (ou algo assim) ou como uma palestra do UOL, na edição de 2008[6] na qual o palestrante basicamente apenas fez uma propaganda do serviço PagSeguro, com pouco ou nada relacionado ao tema principal do encontro.

Logo, urge uma seleção rígida das atividades que tomarão parte durante o evento a fim de que o mesmo apresente discursos científica e academicamente sustentados, dando continuidade ao ciclo da Ciência e da pesquisa científica, a fim de que os visitantes que pagaram ou que se deslocaram para prestigiar o fórum possam ter a certeza de que o que ali está sendo apresentado poderá ter algum resultado no futuro. Não obstante a isso, tal seleção deve, também, verificar o conteúdo das palestras e demais atividades, decidindo se as mesmas possuem, de fato, alguma relação com o tema software livre. Caso contrário, em pouco tempo o FISL nada mais será do que um evento de contracultura sem significado algum.

[1] http://ceticismo.net/ceticismo/examinando-o-motor-keppe/

[2] https://www.youtube.com/watch?v=D175CWITOeE

[3] http://universoracionalista.org/o-mito-de-tesla/

[4] http://softwarelivre.org/fisl16/noticias/o-uso-do-gas-hidroxi-no-contexto-da-revolucao-energetica?hootPostID=43e99a2a4fc9be15f8c5191d11f2b2f6

[5] http://autoforum.com.br/topic/162910-kit-hidrogenio-funciona/#entry2442815

[6] http://br-linux.org/wparchive/2008/carta-aberta-sobre-o-fisl-2008-por-rogerio-acquadro.php